Gêneros Literários – Continuação

19 Set

Retomando o tema da semana, gêneros literários…

Entenda agora essas limitações, ou melhor, definições.

Lírico: O gênero lírico é o texto onde há a manifestação de um eu lírico. Esse expressa suas emoções, ideias, mundo interior ante o mundo exterior. São textos subjetivos, normalmente os pronomes e verbos estão em 1ª pessoa e a musicalidade das palavras é explorada.

 Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro

(Titãs – As Flores)

 

Épico: Os textos épicos narram a história de um povo ou de uma nação, geralmente são textos longos envolvendo viagens, guerras, aventuras, gestos heroicos e há exaltação de heróis e seus feitos.

 

Passada esta tão próspera vitória, 
Tornado Afonso à Lusitana Terra, 
A se lograr da paz com tanta glória 
Quanta soube ganhar na dura guerra, 
O caso triste e dino da memória, 
Que do sepulcro os homens desenterra, 
Aconteceu da mísera e mesquinha 
Que despois de ser morta foi Rainha

(Episódio de Dona Inês de Castro –Os Lusíadas, Canto III, 118 a 125)

 

Narrativo: Ato de narrar acontecimentos reais ou fictíciosNa Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos surgiu dentro do gênero épico a variante: gênero narrativo, a qual apresentou concepções de prosa com características diferentes, o que fez com que surgissem divisões de outros gêneros literários dentro do estilo narrativo: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula. Porém, praticamente todas as obras narrativas possuem elementos estruturais e estilísticos em comum e devem responder a questionamentos, como: quem?, quequandoondepor quê?

 

Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão – coveiro – era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavarademais.Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há?
O coveiro então gritou, desesperado: Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível! Mas, coitado! – condoeu-se o bêbado – Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho! E, pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.

 

(O Coveiro – Milor Fernandes)

 

Dramático: Representação de um acontecimento por atores. A principal característica do texto dramático é a presença do chamado texto principal, compostopela parte do texto que deve ser dito pelos atores na peça e que, muitas vezes, é induzido pelas indicações cênicas, rubricas ou didascálias, texto também chamado de secundário, que informa os atores e o leitor sobre a dinâmica do texto principal.

DIRIGE-SE À MULHER NA JANELA QUE DEPOIS DESCOBRE TRATAR-SE DE QUEM SE SABERÁ

— Muito bom dia, senhora,
que nessa janela está;
sabe dizer se é possível
algum trabalho encontrar?
— Trabalho aqui nunca falta
a quem sabe trabalhar;
o que fazia o compadre
na sua terra de lá?
— Pois fui sempre lavrador,
lavrador de terra má;
não há espécie de terra
que eu não possa cultivar.
— Isso aqui de nada adianta,
pouco existe o que lavrar;
mas diga-me, retirante,
que mais fazia por lá?
— Também lá na minha terra
de terra mesmo pouco há;
mas até a calva da pedra
sinto-me capaz de arar.

(João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina)

Jocasta

Pelos deuses, Édipo, tens de acreditar no que ele assegura e jura em nome dos imortais; tens de o fazer por respeito por mim e por aqueles que estão presentes.

Coro

Consente, Senhor; suplico-te que esteja o teu espírito de acordo com isto.

Édipo

Em que queres tu que eu ceda?

Coro

Respeita quem dantes não era um insensato e agora se protege com a santidade do juramento.

Édipo

Mas sabes tu o que pedes?

Coro

Sei.

Édipo

Dize então tudo o que pensas.

Coro

Não castigues por um crime duvidoso, por um feito incerto, o amigo que um juramento consagrou.

Édipo

Mas fica sabendo que o que pedes é, para mim, a morte ou o exílio.

(Trecho de Édipo Rei – Sofócles)

Referências

As definições foram retiradas dos seguintes sites:

http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnero_liter%C3%A1rio

http://www.brasilescola.com/literatura/genero-narrativo.htm

http://www.mundoeducacao.com.br/literatura/os-generos-literarios.htm

Por: Sabrina Beltrão e Aline Möller

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