Arquivo | Outubro, 2012

Para Refletir sobre Literatura de Massa

23 Out

A LITERATURA DE MASSA: PURO LAZER OU ALIENAÇÃO?

Uma das questões mais discutidas atualmente, pelos cientistas que analisam os efeitos da literatura de massa é o que pode estar ocasionando sobre os seus leitores, se acrescenta algo positivo à sua vivência, além da satisfação da necessidade de lazer, ou se, ao contrário, a ação é uma tentativa de escapar da dura realidade do dia-a-dia, através de um mecanismo de evasão.
Conforme estudiosos, a fuga provoca a alienação do sujeito, tornando-o um leitor passivo, não questionador. Essa é uma longa discussão, que até a presente data não teve uma resposta concreta. Alguns combatem-na ardorosamente, taxando-a de alienadora, pois ela não incitaria o leitor a observar e questionar os problemas que o circundam, trazendo a acomodação.

Em contrapartida, existe uma ala moderada que, mesmo reconhecendo que essa literatura não possui os padrões desejáveis para ser considerada arte, sua leitura permite, através da ótica de cada leitor, o aproveitamento de alguma coisa, por mais ínfima que seja vindo acrescentar algo a sua vivência. Segundo esses teóricos e pesquisadores, qualquer leitura tem um potencial a acrescentar, a informar, e nunca a apaziguar ou embrutecê-lo.

Em geral, as críticas feitas à Literatura de Massa, é de que ela se inclui nos produtos da Cultura de Massa, recebendo, portanto as mesmas críticas a eles direcionada, no que se refere aos efeitos sobre os consumidores. São considerados instrumentos de dominação, muito eficazes, uma vez que homogeneízam os gostos, inibindo o questionamento e a criatividade, além de transmitir o discurso da classe dominante, induzindo o leitor à nele acreditar como sendo o mais correto.

Outra crítica à literatura de massa, é de que ela funcione como uma catarse, fuga ou evasão da realidade, proporcionando a alienação e utilizando para isso alguns mecanismos como reconhecimento e a consolação revelados no final feliz. Os maiores críticos da cultura de massa, sem dúvidas foram os componentes do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, fundado em 1926. Seus principais pensadores Marcuse, Adorno, Horkheimer e Benjamin, criadores da Teoria da Crítica, sustentam que a cultura de massa é manipulada pela própria dinâmica da evolução da indústria e que a técnica utilizada pela indústria cultural foi desenvolvida pelas classes dominantes. […]

Em contrapartida a essas críticas, os meios de comunicação de massa são avaliados positivamente por outros autores, que os consideram instrumentos da democracia, que podem veicular, também, valores das classes subalternas. Em se tratando de produtos mais baratos e acessíveis, podem promover cultura e instrução, além de lazer e descontração para grande parte da população.

Os leitores se interessam por determinados textos e não por outros. Qualquer escolha tem caráter seletivo, próprio do indivíduo. […]

Nenhum texto pode ser taxado como alienante, ou indutor de determinada doutrina. A percepção do leitor é totalmente diferente da do crítico, pois ambos vivem de maneira diferente e percebem de modo diverso o discurso do que é novo e do que é repetido. Um texto bem simples pode ser questionador, enquanto um texto elaborado, direcionado, pode não lhe dizer nada. Não procede a suposição de que qualidades como exclusividade, complexidade e importância sejam elementos constitutivos do discurso informativo porque, embora possam em certos contextos ser condições necessárias para se chegar a uma exposição satisfatória dos fatos descritos, não representam, porém, condições suficientes para caracterizar o discurso como informativo. […]

 

Enfim, seja como forma de lazer, para adquirir conhecimentos, cultura ou educar-se, o interessante é o resultado. As variáveis do prazer da leitura, da comoção identificatória, da satisfação de uma curiosidade, ou do gosto pela repetição se transformará em um novo conhecimento, fruto da interação do texto com o contexto. Nenhum leitor vem ao texto sem histórico, traz consigo experiências que são determinadas pela sua vivência e seu modo de ver os fatos.

(Este texto é parte de um estudo feito por Adriano Ramon Lani

http://zip.net/bxhQhZ)

Por Shirley Maurina

Vale a dica..

23 Out

Para quem sempre está em busca de enriquecer a leitura, confira um modo simples e econômico de fazer isso agora mesmo.

“A Universia Brasil, maior rede ibero-americana de colaboração universitária presente em 22 países, reuniu uma nova lista com 45 clássicos da literatura mundial para você baixar grátis. Entre os livros encontram-se obras de Machado de AssisFernando Pessoa, Dante Alighieri e Julio Verne, entre outros.”

A página da web é http://zip.net/bphQcm.

Por Shirley Maurina

Destaque

23 Out

Um dos temas tratados em nosso blog foi sobre o gênero literário CONTO. Confira o destaque internacional relacionado ao tema e a um de nossos nomes da literatura Brasileira.

Ana Maria Machado

Escritora brasileira ganha prêmio de literatura no México

MÉXICO – A escritora brasileira Ana Maria Machado conquistou o VIII Prêmio Iberoamericano de Literatura Infantil e Juvenil da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no oeste de México, informou nesta segunda-feira (8) a organização do evento.

Ana Maria Machado recebeu o prêmio, de 30 mil dólares, por seu “estilo narrativo simples e complexo ao mesmo tempo, que apela à inteligência do leitor, com uma linguagem cuidadosa, lírica, amena e que recupera a riqueza do conto”, assinalam os organizadores.

A escritora brasileira receberá o prêmio no dia 27 de novembro, durante a 26ª edição da Feira de Guadalajara, o maior evento da indústria editorial em espanhol.

Ana Maria Machado nasceu no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 1941, é jornalista e professora de letras.

Em 1997, recebeu o Prêmio Jabuti, considerado o mais importante prêmio literário do Brasil. Em 2000, obteve o Prêmio Andersen, a principal recompensa da literatura infantil.

(http://zip.net/byhPNw )

Por Shirley Maurina

Autora de ‘Cinquenta Tons de Cinza’ fala de sua inspiração para criar o best-seller

21 Out
  • Em entrevista ao ‘Estado’, a escritora britânica E L James lembra como a série ‘Crepúsculo’ influenciou sua criação polêmica
Pedro Caiado, ESPECIAL PARA O ESTADO / LONDRES

É o livro sensação do momento. No Brasil, sua venda chegou a 260 mil cópias em 40 dias. Não se fala em outro assunto nos EUA e na Europa. Os direitos para o filme já foram comprados por Hollywood por (estima-se) US$ 5 milhões. Por que tanto frenesi em torno de Cinquenta Tons de Cinza? A resposta é simples: sexo. A trilogia é a mais picante na lista de livros mais vendidos em anos. A história da submissa jovem estudante Anastasia Estelle, que se envolve com o bilionário bonitão e dominador Christian Grey é recheada de sexo explícito e sadomasoquismo.

 

Tudo começou quando a britânica E L James assistiu ao filme Crepúsculo - Marloes Van Doorn/Divulgação
Marloes Van Doorn/Divulgação
Tudo começou quando a britânica E L James assistiu ao filme Crepúsculo

O sucesso, inicialmente na internet, chamou a atenção dos editores que haviam dito não à publicação da trama em papel e e-books. E assim se iniciava o fenômeno. Os livros têm encantado mulheres ao redor do globo e apimentado a relação de casais. Tudo fruto da imaginação de uma dona de casa do subúrbio de Londres, a britânica de 48 anos Erika Mitchell, ou E L James, que da noite para o dia se tornou o nome mais quente da literatura mundial. A então executiva de um estúdio de TV britânico, infeliz com seu trabalho, resolveu dedicar tempo integral à escrita do romance que se tornou um recorde de vendas em poucos meses.

O segundo livro da trilogia, Cinquenta Tons de Cinza Mais Escuro, acaba de ser lançado no Brasil e o terceiro já alcança recorde de reservas. Quem é a mulher por trás dos obscenos livros? O Estado conheceu a inglesa que em nada lembra a fogosa personagem Anastasia. Com jeans, camisa preta e joias, Erika nos recebe com uma Coca-Cola Diet na mão, enquanto reforça seu desprazer em dar entrevistas: “Os jornalistas escrevem o que querem”. E garante que o dinheiro não mudou sua vida. “Vou poder reformar minha cozinha.”

Como tudo começou?
Sempre quis escrever. Em novembro de 2008, fui ver o filme Crepúsculo. Gostei muito e depois li os livros e adorei. Em 15 de janeiro, sentei e comecei a escrever uma história, que não foi publicada. E depois, em abril, escrevi outra. Ambas não foram publicadas e não envolviam sexo. Então, descobri esse site Fanfiction, por intermédio do fórum de Crepúsculo. Vi várias histórias e achei que também podia fazer aquilo. Então, escrevi uma ficção em três semanas. Nesse período, lembro de ter lido umas cinco histórias sobre sadomasoquismo. Não sabia o que significava aquilo, mas achei tudo quente e fascinante.

Estas são as suas inspirações?
Sim. Quando li sobre sadomasoquismo, pensei como seria me encontrar com uma pessoa que estivesse nesse mundo. Foi assim que começou. Era originalmente uma história saída do site de Crepúsculo – Fanfiction. Nunca pensei que iria publicá-lo, ou pensei que, se publicasse, seria cheio de restrições.

A história Submissive no site fanfiction é muito similar à sua trilogia. É uma inspiração direta?
Chama-se O Dominador e a Submissa, além de quatro outros que li. Mas não quero dar o nome das histórias porque algumas eram muito mal escritas.

Você acha que livros eróticos não podem ser bem escritos?
Eu acho que você pode escrever de qualquer maneira. Algumas pessoas não gostam do meu estilo de escrever, mas é assim que eu sou, casual. Se as pessoas não gostam, é problema delas. Mas muitas gostam.

Stephanie Meyer é sua clara inspiração. Você já conversou com ela?
Não. Mas ela foi muito gentil em uma entrevista recente sobre seu novo livro, A Hospedeira. Ela disse que meus livros não são o seu gênero preferido, mas me desejou toda a sorte do mundo, o que eu achei muito legal. Adoraria encontrá-la para agradecer pela inspiração. E ela inspirou centenas de milhares de mulheres a começar a escrever. Crepúsculo é uma história muito erótica, apesar de não ter sexo envolvido.

O sucesso surpreendeu você?
Não esperava isso. Quem poderia imaginar que uma história tão obscena fosse se tornar popular assim. É extraordinário. Os números das vendas são insanos. Como eu nunca tive essa experiência antes, não sabia se eram bons ou não. Eu lembro de a editora me ligando para dizer que uma loja tinha acabado de vender 22 mil cópias, e eu perguntava: ‘Isso é bom?’.

Como todo esse sucesso, você se compararia com J. K. Rowling, por exemplo? Daria conselhos a ela, que agora lança seu primeiro romance adulto?
Não me comparo com ninguém. E, claro, ela não precisa de conselhos. Adorei os livros e os filmes do Harry Potter. Li e vi todos. Lembro de sempre estar ansiosa pelo próximo livro. Era tão épica aquela saga. Mas escrevi Cinquenta Tons de Cinza para mim. Foi divertido escrever. Aquelas são as minhas fantasias. Claro, tendo por base as fantasias de outras mulheres, o que faz com que eu me sinta menos pervertida (risos envergonhados).

Como foi o processo de criação?
Não tinha ideia de onde a história ia. Gastei cada hora disponível escrevendo. Eu trabalhava meio expediente na época. Comecei a escrever e virou uma obsessão. Escrevia no BlackBerry no metrô e pensava na trama enquanto dirigia. Parei de sair, de ver TV.

Você procurava por sadomasoquismo no Google?
Fiz muita pesquisa, mas foi bem mais específico que isso. Há uma quantidade enorme de informação na internet sobre esse assunto. Mas, no meu livro, Anastasia não é submissa, então este não é um livro de sadomasoquismo.

Mas a história é repleta de detalhes… Li que você ligou para uma loja de automóveis para saber se um casal teria espaço para fazer sexo no banco de trás de um Audi.
Essa história é hilária, mas não posso contar agora, pois está no terceiro livro que ainda vai ser lançado no Brasil. Tenho uma imaginação muito viva, podemos dizer assim. Visitei sex shops também.

Livros eróticos sempre existiram. Você é responsável por tornar o gênero pop. O que faz o seu livro ser diferente?
É uma história romântica, de paixão. E quando as pessoas se apaixonam, elas fazem muito sexo, é isso o que acontece. Christian faz sexo de uma maneira particular. Ele não faz amor, pois tudo para ele é relacionado com poder e controle. Outros livros do gênero têm uma linguagem muito pesada. Não uso essa linguagem e a descrição do sexo é sutil. Geralmente, as mulheres não gostam de palavras pesadas.

Que livros você indicaria para quem se inicia no gênero?
Há vários: Beautiful Disaster, de Jamie McGuire, por exemplo. Acabei de ler Shadows of Night, de Deborah Harkness, é o segundo livro de uma trilogia chamada All Souls. Quando eu tinha 30 e poucos anos, li vários livros de mulheres como Brenda Joyce, Noel Roberts, Judith McNaught, são mais românticos, sem sexo explícito. Devo ter lido umas 600 histórias naquela época. As mais pornográficas talvez tenham sido as de uma série chamada Black Lace.

O que acha da opinião negativa? Homens queimaram seus livros nos EUA e há quem diga que seus livros são mal escritos.
O que acho mais fascinante é que as pessoas começam a ler e não conseguem parar. E foi exatamente assim comigo quando li Crepúsculo. Essa onda de opiniões negativas é só barulho no fundo. Felizmente, a maioria tem gostado, então, nesse aspecto, eu realmente fiz sucesso. As mulheres amam meus livros. Recebi o e-mail de uma mulher dizendo que não lia nada há 28 anos, e terminou Cinquenta Tons em três semanas. É uma leitura fácil. E quem não gosta, tem o direito de não gostar.

Você trabalhou como executiva de um estúdio de TV por 20 anos. Essa experiência a ajudou no marketing do livro?
Não. São coisas diferentes. Odiava um dos meus últimos trabalhos e escrever foi minha maneira de escapar disso.

Os direitos do seu livro foram comprados por US$ 5 milhões…
Não vou falar sobre o dinheiro. O projeto está indo para frente, lentamente.

Postado por: Marcele B. dos Santos

http://www.estadao.com.br

Nota

Cultura de massa

16 Out

Cultura de massa

A expressão ‘cultura de massa’, posteriormente trocada por ‘indústria cultural’, é aquela criada com um objetivo específico, atingir a massa popular, maioria no interior de uma população, transcendendo, assim, toda e qualquer distinção de natureza social, étnica, etária, sexual ou psíquica. Todo esse conteúdo é disseminado por meio dos veículos de comunicação de massa. Os filósofos alemães, integrantes da Escola de Frankfurt – Theodor W. Adorno e Max Horkheimer -, foram os responsáveis pela criação do termo ‘Indústria Cultural’. Eles anteviam a forma negativa como a recém-criada mídia seria utilizada durante aSegunda Guerra Mundial. Aliás, eles eram de etnia judia, portanto sofreram dura perseguição dos nazistas e, para fugir deste contexto, partiram para os EUA.Antes do advento da cultura de massa, havia diversas configurações culturais – a popular, em contraposição à erudita; a nacional, que entretecia a identidade de uma população; a cultura no sentido geral, definida como um conglomerado histórico de valores estéticos e morais; e outras tantas culturas que produziam diversificadas identidades populares.Mas, com o nascimento do século XX e, com ele, dos novos meios de comunicação, estas modalidades culturais ficaram completamente submergidas sob o domínio da cultura de massa. Veículos como o cinema, o rádio e a televisão, ganharam notório destaque e se dedicaram, em grande parte, a homogeneizar os padrões da cultura.

Como esta cultura é, na verdade, produto de uma atividade econômica estruturada em larga escala, de estatura internacional, hoje global, ela está vinculada, inevitavelmente, ao poderoso capitalismo industrial e financeiro. A serviço deste sistema, ela oprime incessantemente as demais culturas, valorizando tão somente os gostos culturais da massa.

Outro importante pensador contemporâneo, o francês Edgar Morin, define a cultura de massa ou indústria cultural como uma elaboração do complexo industrial, um produto definido, padronizado, pronto para o consumo. Mas, ainda conforme este estudioso, uma industrialização secundária se processa paralelamente, mais sutil e, portanto, mais ardilosa, a da alma humana, pois ela ocorre nos planos imagético e onírico.

Esta cultura é hipnotizante, entorpecente, indutiva. Ela é introjetada no ser humano de tal forma, que se torna quase inevitável o seu consumo, principalmente se a massa não tem o seu olhar e a sua sensibilidade educados de forma apropriada, e o acesso indispensável à multiplicidade cultural e pedagógica. Com este manancial de recursos, é possível criar modalidades de resistência a essa cultura impositiva.

Do contrário, com os apelos desta indústria, personificados principalmente na esfera publicitária, principalmente aquela que se devota sem pudor ao sensacionalismo, é quase impossível resistir aos sabores visuais da avalanche de imagens e símbolos que inundam a mente humana o tempo todo. Este é o motor que move as engrenagens da indústria cultural e aliena as mentalidades despreparadas.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_de_massa
http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=815

Postado por: Marcele B. dos Santos

Conceito e características do Romance

10 Out

Romance é uma forma literária do gênero narrativo literário que transpõe para a ficção a experiência humana. Suas características são a narrativa longa, geralmente dividida em capítulos, os personagens variados em torno das quais acontece a história principal e também histórias paralelas a essa, pode apresentar espaço e tempo variados.

No romance, a metrificação, muito utilizada no verso, é abandonada e a prosa de tom relativamente coloquial torna-se uma característica da linguagem narrativa.

Os personagens do romance são fictícios, vivendo acontecimentos imaginários. Os personagens centrais (heróis) passam a ser homens comuns vivendo dramas corriqueiros como complicações sentimentais, sociais ou financeiras. Eles são abordados por inteiro, ficando a alma fraturada entre os desejos íntimos e a realidade quase sempre hostil, apresentando uma complexidade maior.

Com o romance nasce a análise psicológica e o conflito interior dos personagens são temas recorrentes, além dos conflitos dos indivíduos com o mundo, sobretudo na luta contra as normas sociais e os preconceitos.

Sede de amor, de justiça e de dignidade humana que impelem ao desejo de mudança de um mundo, geralmente insensível e injusto são comumente abordados no romance. No entanto, o resultado desse esforço é, na maioria das vezes, o fracasso. Desamparado, o personagem ou adere à ordem opressiva ou sucumbe à desilusão, à loucura e até à morte. Porém algumas obras do gênero o herói triunfa.

“A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.”

Machado de Assis

 

Referências: http://www.brasilescola.com/literatura/genero-narrativo.htm

http://educaterra.terra.com.br/literatura/temadomes/2003/01/20/005.htm

 

Postado por Liliane Fuzikava

Os Animais e a Peste – Monteiro Lobato

9 Out

Em certo ano terrível de peste entre os animais, o leão, mais apreensivo, consultou um macaco de barbas brancas.

– Esta peste é um castigo do céu – respondeu o macaco – e o remédio é aplacarmos a cólera divina sacrificando aos deuses um de nós.

– Qual? – perguntou o leão.

– O mais carregado de crimes.

O leão fechou os olhos, concentrou-se e, depois duma pausa, disse aos súditos reunidos em redor:

– Amigos! É fora de dúvida que quem deve sacrificar-se sou eu. Cometi grandes crimes, matei centenas de veados, devorei inúmeras ovelhas e até vários pastores. Ofereço-me, pois, para o acrifício necessário ao bem comum.

A raposa adiantou-se e disse:

– Acho conveniente ouvir a confissão das outras feras. Porque, para mim, nada do que Vossa Majestade alegou constitui crime. São coisas que até que honram o nosso virtuosíssimo rei Leão.

Grandes aplausos abafaram as últimas palavras da bajuladora e o leão foi posto de lado como impróprio para o sacrifício.

Apresentou-se em seguida o tigre e repete-se a cena. Acusa-se de mil crimes, mas a raposa mostra que também ele era um anjo de inocência.

E o mesmo aconteceu com todas as outras feras.

Nisto chega a vez do burro. Adianta-se o pobre animal e diz:

– A consciência só me acusa de haver comido uma folha de couve da horta do senhor vigário.

Os animais entreolharam-se. Era muito sério aquilo. A raposa toma a palavra:

– Eis amigos, o grande criminoso! Tão horrível o que ele nos conta, que é inútil prosseguirmos na investigação. A vítima a sacrificar-se aos deuses não pode ser outra porque não pode haver crime maior do que furtar a sacratíssima couve do senhor vigário.

Toda a bicharada concordou e o triste burro foi unanimamente eleito para o sacrifício.

Moral da Estória:
Aos poderosos, tudo se desculpa…
Aos miseráveis, nada se perdoa.

 

Postado por Liliane Fuzikava