Falando em Rubem Braga…

2 Out


“Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na
porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem
para não me deixar entrar, ele ficará indeciso
quando eu lhe disser em voz baixa:
“Eu sou lá de Cachoeiro…”

O escritor e jornalista Rubem Braga nasceu em Cachoeiro do Itapemirim (ES), em 12 de janeiro de 1913, filho de Raquel Coelho Braga e Francisco Carvalho Braga, proprietário do jornal “Correio do Sul”.

Ainda estudante, iniciou-se no jornalismo fazendo uma crônica diária no jornal “Diário da Tarde”. Como repórter, trabalhou na cobertura da Revolução Constitucionalista de 1932 para os “Diários Associados”.

Formado em direito, continuou com o jornalismo, escrevendo crônicas para “O Jornal”. Mudou-se para Recife (PE) e passou a escrever para o “Diário de Pernambuco”. Fundou, no Rio, o jornal “Folha do Povo”, tomando partido da ANL (Aliança Nacional Libertadora).

Em 1936, lançou seu primeiro livro de crônicas, “O Conde e o Passarinho”. Em 1938, fundou, junto com Samuel Wainer e Azevedo Amaral, a revista “Diretrizes”.

Braga publicou seu segundo livro, “O Morro do Isolamento”, em 1944. Foi correspondente de guerra na Europa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pelo “Diário Carioca”, tendo tomado parte da campanha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Itália, em 1945.

No período de 1961 a 1963, Rubem Braga foi embaixador do Brasil no Marrocos, na África. Em 1960, publicou “Ai de Ti Copacabana”. A este seguiram-se “A Traição das Elegantes” (1967), “Recado de Primavera” (1984) e “As Boas Coisas da Vida”(1988), entre outros tantos livros.

Braga escreveu crônicas para os jornais “Folha da Tarde”, “Folha da Manhã” e Folha de S.Paulo entre 1946 e 1961 e colaborou, nos anos 80, com o caderno cultural Folhetim, da Folha.

Rubem Braga morreu no Rio, em 19 de dezembro de 1990, deixando mais de 15 mil crônicas escritas em mais de 62 anos de jornalismo. 

 (Texto escrito por Maria Eduarda Guimarães extraído do site http://almanaque.folha.uol.com.br/rubem_braga.htm )

Em  “O Conde e o Passarinho”, crônica-título, escreveu: “A minha vida sempre foi orientada pelo fato de eu não pretender ser conde.” De fato, quase tanto como pelos seus livros, o cronista ficou famoso pelo seu temperamento introspectivo e por gostar da solidão. Como escritor,Rubem Braga teve a característica singular de ser o único autor nacional de primeira linha a se tornar célebre exclusivamente através da crônica, um gênero que não é recomendável a quem almeja a posteridade. Certa vez, solicitado pelo amigo Fernando Sabino a fazer uma descrição de si mesmo, declarou: “Sempre escrevi para ser publicado no dia seguinte. Como o marido que tem que dormir com a esposa: pode estar achando gostoso, mas é uma obrigação. Sou uma máquina de escrever com algum uso, mas em bom estado de funcionamento.” 


Por Shirley Maurina

2 Respostas to “Falando em Rubem Braga…”

  1. Aline Möller 25 de Outubro de 2012 às 17:53 #

    Encontrei esse trecho que explica um pouco a importância de Rubem Braga para a Literatura. No link abaixo tem mais detalhes sobre a vida e obra desse revolucionário. Vale a pena conferir!

    Em 1989, cerca de um ano antes de sua morte, Rubem Braga escreveu, em sua coluna da Revista Nacional, uma das mais ácidas descrições do ofício a que dedicou toda a vida, o de cronista: Respondo que a crônica não é literatura, e sim subproduto da literatura, e que a crônica está fora do propósito do jornal. A crônica é subliteratura que o cronista usa para desabafar perante os leitores. O cronista é um desajustado emocional que desabafa com os leitores, sem dar a eles oportunidade para que rebatam qualquer afirmativa publicada. A única informação que a crônica transmite é a de que o respectivo autor sofre de neurose profunda e precisa desoprimir-se. Tal informação, de cunho puramente pessoal, não interessa ao público, e portanto deve ser suprimida.
    O que a auto-ironia corrosiva do “velho Braga” não deixa transparecer é a elevação de status que a sua própria obra propiciou à crônica no Brasil durante os últimos 60 anos. De subliteratura, passou a ser considerado um gênero literário respeitável e digno de estudo. E já era tempo. Afinal, a crônica vem sendo praticada assiduamente, no Brasil, por muitos dos nossos maiores escritores, desde que os jornais passaram a ser centros importantes da vida cultural e intelectual no país.
    Em 1854, o então jornalista José de Alencar começa a escrever uma seção diária no Correio Mercantil, intitulada Ao Correr da Pena, em que comenta os mais variados assuntos da vida do Rio de Janeiro e do país. Esses textos leves de temática cotidiana, com pitadas de lirismo e, muitas vezes, humor, podem ser considerados os precursores da crônica moderna. Seguindo esta mesma linha, Machado de Assis contribuiu durante toda a sua carreira com crônicas para diversos jornais.A produção do Machado cronista se inicia já em 1859 e se estende até 1904, com raras interrupções. Sua produção mais madura e interessante foi publicada na colunas do jornal Gazeta de Notícias, em que contribui de 1881 a 1904: Balas de Estalo (1883-1885), Bons Dias! (1888-1889) e principalmente na célebre coluna A Semana (1892-1897).
    No final do século XIX vários escritores se destacaram como cronistas. De fato era na produção de crônicas, muitas vezes diárias, que ficcionistas como Artur Azevedo, Coelho Neto e Medeiros de Albuquerque, ou poetas como Olavo Bilac – seguramente um dos nossos mais férteis cronistas, chegando a escrever, durante anos, mais de uma crônica diária para diferentes jornais – encontraram seu ganha-pão através da literatura.
    No início do século, destacam-se as crônicas do jornalista João do Rio, hábil repórter, que descreviam com vivacidade as ruas agitadas do Rio de Janeiro na belle époque. Na São Paulo do início do Modernismo, Menotti del Picchia e Antônio de Alcântara Machado valeram-se de suas produções de cronistas para divulgar os ideais da Semana de Arte Moderna.
    Rubem Braga, portanto, não inventou a crônica entre nós. Quando, em 1936, surge seu primeiro livro de crônicas, o gênero já tinha uma longa e fértil história nesse país. No entanto, na obra de todos os escritores citados acima, de José de Alencar a Antônio de Alcântara Machado, a produção de crônicas figura sempre como uma parcela de menor valor, como uma produção efêmera e secundária. Olavo Bilac, por exemplo, escreveu muito mais crônicas do que poemas em sua vida, mas é sempre lembrado como um poeta que se dedicou a um “gênero menor” apenas para se sustentar.
    Já Rubem Braga, como bem o colocou José Paulo Paes, é um caso único de autor que entrou para nossa história literária exclusivamente pela sua obra de cronista. Com uma visão entre lírica e irônica da vida, e um estilo admiravelmente dúctil e pessoal, logrou ele, como ninguém, dar nobreza literária ao gênero .
    Conferiu ele tanta nobreza ao gênero que este passou a ser tratado em condições quase iguais ao seu “irmão mais elevado”, o conto. E foi além. Como o colocou Jorge de Sá, diluindo as fronteiras entre os gêneros crônica, conto e poema em prosa, Rubem Braga consagrou a crônica como um gênero literário ficcional que muitas vezes se confunde com o conto, diferenciando-se apenas na densidade do tratamento temático e na construção de personagens: se o conto se concentra na complexidade das relações e em jogos de linguagem mais elaborados, a crônica mantém sua aparência de conversa fiada estabelecida entre o cronista (ele mesmo narrador) e o leitor virtual.
    A inclusão das — segundo seu próprio autor, subliterárias — crônicas de Braga em um coleção como a de Melhores Contos, da Editora Global, que inclui autores como Machado de Assis, Clarice Lispector, Eça de Queirós e Mário de Andrade, reforça essa ideia. As crônicas de Rubem Braga selecionadas pelo Prof. Davi Arrigucci Jr. transformaram-se, assim, num passe de mágica e de imprecisão terminológica, nos Melhores Contos de Rubem Braga. Mas não deixam de ser crônicas e nem por isso deixam de ser literatura da mais alta qualidade.

    http://www.sosestudante.com/resumos-o/os-melhores-contos-rubem-braga.html

  2. Marcele 25 de Outubro de 2012 às 19:44 #

    Lembrado como um dos maiores cronistas brasileiros, Rubem Braga era irmão do poeta e jornalista Newton Braga…família de talento!

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