Para Refletir sobre Literatura de Massa

23 Out

A LITERATURA DE MASSA: PURO LAZER OU ALIENAÇÃO?

Uma das questões mais discutidas atualmente, pelos cientistas que analisam os efeitos da literatura de massa é o que pode estar ocasionando sobre os seus leitores, se acrescenta algo positivo à sua vivência, além da satisfação da necessidade de lazer, ou se, ao contrário, a ação é uma tentativa de escapar da dura realidade do dia-a-dia, através de um mecanismo de evasão.
Conforme estudiosos, a fuga provoca a alienação do sujeito, tornando-o um leitor passivo, não questionador. Essa é uma longa discussão, que até a presente data não teve uma resposta concreta. Alguns combatem-na ardorosamente, taxando-a de alienadora, pois ela não incitaria o leitor a observar e questionar os problemas que o circundam, trazendo a acomodação.

Em contrapartida, existe uma ala moderada que, mesmo reconhecendo que essa literatura não possui os padrões desejáveis para ser considerada arte, sua leitura permite, através da ótica de cada leitor, o aproveitamento de alguma coisa, por mais ínfima que seja vindo acrescentar algo a sua vivência. Segundo esses teóricos e pesquisadores, qualquer leitura tem um potencial a acrescentar, a informar, e nunca a apaziguar ou embrutecê-lo.

Em geral, as críticas feitas à Literatura de Massa, é de que ela se inclui nos produtos da Cultura de Massa, recebendo, portanto as mesmas críticas a eles direcionada, no que se refere aos efeitos sobre os consumidores. São considerados instrumentos de dominação, muito eficazes, uma vez que homogeneízam os gostos, inibindo o questionamento e a criatividade, além de transmitir o discurso da classe dominante, induzindo o leitor à nele acreditar como sendo o mais correto.

Outra crítica à literatura de massa, é de que ela funcione como uma catarse, fuga ou evasão da realidade, proporcionando a alienação e utilizando para isso alguns mecanismos como reconhecimento e a consolação revelados no final feliz. Os maiores críticos da cultura de massa, sem dúvidas foram os componentes do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, fundado em 1926. Seus principais pensadores Marcuse, Adorno, Horkheimer e Benjamin, criadores da Teoria da Crítica, sustentam que a cultura de massa é manipulada pela própria dinâmica da evolução da indústria e que a técnica utilizada pela indústria cultural foi desenvolvida pelas classes dominantes. […]

Em contrapartida a essas críticas, os meios de comunicação de massa são avaliados positivamente por outros autores, que os consideram instrumentos da democracia, que podem veicular, também, valores das classes subalternas. Em se tratando de produtos mais baratos e acessíveis, podem promover cultura e instrução, além de lazer e descontração para grande parte da população.

Os leitores se interessam por determinados textos e não por outros. Qualquer escolha tem caráter seletivo, próprio do indivíduo. […]

Nenhum texto pode ser taxado como alienante, ou indutor de determinada doutrina. A percepção do leitor é totalmente diferente da do crítico, pois ambos vivem de maneira diferente e percebem de modo diverso o discurso do que é novo e do que é repetido. Um texto bem simples pode ser questionador, enquanto um texto elaborado, direcionado, pode não lhe dizer nada. Não procede a suposição de que qualidades como exclusividade, complexidade e importância sejam elementos constitutivos do discurso informativo porque, embora possam em certos contextos ser condições necessárias para se chegar a uma exposição satisfatória dos fatos descritos, não representam, porém, condições suficientes para caracterizar o discurso como informativo. […]

 

Enfim, seja como forma de lazer, para adquirir conhecimentos, cultura ou educar-se, o interessante é o resultado. As variáveis do prazer da leitura, da comoção identificatória, da satisfação de uma curiosidade, ou do gosto pela repetição se transformará em um novo conhecimento, fruto da interação do texto com o contexto. Nenhum leitor vem ao texto sem histórico, traz consigo experiências que são determinadas pela sua vivência e seu modo de ver os fatos.

(Este texto é parte de um estudo feito por Adriano Ramon Lani

http://zip.net/bxhQhZ)

Por Shirley Maurina

Uma resposta to “Para Refletir sobre Literatura de Massa”

  1. Sabrina 29 de Outubro de 2012 às 22:28 #

    Muito bem elaborados os textos de Literatura Fantástica e Literatura de Massa. A relação entre elas é o que poderíamos chamar de indústria cultural, onde a mesma faz com que a fantástica se torne única, além do que todos os seres já são fantásticos, fomentando a de massa.

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